Ela tem uns dois ou três nós na cabeça e só alguns com múltiplos de dois ou três no coração.
Quando os dias passam devagar ela se assusta por pensar que desaprendeu a voar, quando as coisas voam ela se sente mal por não poder aproveitar mais.
A guria é tudo que diz pros outros não serem em alguns detalhes, porém ela não entende a maioria dos atos alheios, por mais que pense, por mais que tente ser compreensível, algumas coisas são inimagináveis e outras dolorosamente insensíveis.
Parece ridículo o olhar dela pro mundo, mesmo as vezes sendo a coisa mais pura e divertida dessa e de outras galáxias. Olhar de quem tem medo de ser feliz pra que não tenha um dia que ser triste, e ao mesmo tempo é o mais feliz que alguém pode ser.
Dá pra entender esse olhar?
É aquela coisa mesclada entre o medo, o fogo, a dor, a alegria, a diversão e se alguém puder ouvir aquela risada, diz que tudo se apaga e só existe amor e brincadeiras.
Nenhum corpo é mais confuso, nenhum dos nós é fácil de desatar.
Ninguém sabe como se formam todas as dúvidas de alguém e por mais que se busquem respostas, penso que nunca saberão de onde provem todas as dores também. Ok!
Me desoriento porque nunca vi ninguém tentar entender qual a causa de tanta felicidade assim.
Nem adiantaria. a felicidade dela parece ser inatingível ate para fins de pesquisa. Não há parâmetros, não se mede, quase nem se imagina. Alguns poucos sentem e se contagiam. Só. ninguém toca essa felicidade, também ninguém sabe numerar ou tabelar tantos dados.
E mesmo assim, mesmo com felicidade tão estranha e, por que não dizer, aparentemente infinita, ela precisa de outras vozes, de outros momentos, de outros carinhos, que só ela sabe fazer.
Tão estranho alguém tão apaixonada pelas relações e tão certa dos prazeres destas, precisar ser dela, as vezes.
Sentir que é dela ainda, mesmo sendo louca por outro alguém. Lembrar que sem os outros continua sendo ela e, principalmente, com o mesmo sorriso dramaturgico.