quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E se eu fosse?
Manuella Fleig

Como as mil dúvidas bestas que a gente carrega a vida toda eu me peguei pensando: e se eu fosse homem?
O que primeiro me ocorreu foi que, caso fosse homem, iria querer ser jogador de futebol. Ficar rico, casar com top models, montar uma bandinha de pagode e viajar. O típico ignorante que tem sorte. Porém já desfiz a idéia, não quero me tornar alvo de críticas pesadas quando ganhar uns quilinhos a mais.
Acho então que seria político e me sairia bem no cargo, já que a política é descaradamente machista. Aparecer na mídia, ganhar fortunas, falar besteiras, viajar pelo mundo com o meu jatinho e bebemorar os altos impostos. Mas, pensando bem, é meio ridículo pôr tanta esperança em um povo cego.
De repente eu montaria uma banda, viajaria pelo mundo com o meu pessoal, pegaria várias fãs, usaria todo o tipo de drogas e, por fim beberia para celebrar o meu “platina duplo” cheio de arrumações sonoras com músicas que não dizem nada. E também não daria certo. Drogas não me fascinam e uma gripe qualquer acabaria com uma semana cheia de shows.
Analisando bem, acho que nem em sonho gostaria de ser homem.Ser mulher é ainda mil vezes mais interessante.
Ainda posso viajar, engordar, casar com top models, gostar de pagode e de quebra ainda posso ser inteligente. Posso enganar os homens com facilidade, conhecer o mundo, comprar um jatinho, aparecer na mídia e beber algumas vezes com os pontos adicionais de ter cultura um pouco mais acentuada e ter todos os dedos nas mãos. Posso também ter o meu pessoal e celebrar vitórias com o direito de pegar um resfriado e não perder muito dinheiro por isso.
Por fim, vejam só que incrível, como mulher, tenho a inteligência e coordenação acentuadas, aprendi, ainda nova, a fazer xixi dentro do vaso sanitário e consigo, se desejar, segurar um homem por muito tempo ao meu lado e outro, por nove meses, dentro de mim.
E se eu fosse homem? Rezaria infinitamente para que minha vida fosse um sonho e eu acordasse mulher.


Crônica premiada com o 1º lugar no concurso literário municipal de Santa Maria, 2008.