sábado, 19 de janeiro de 2013

Pode parecer modismo falar de cachorros e de domingo. Mas é que por mais que eu já tenha lido sobre isso nunca quis escrever o que sentia nos meus domingos com a Luna, minha chow chow que tem medo até da sombra dela. Passei o dia dormindo esperando que algo muito bom me acordasse, cheguei a sonhar com isso, tipo obsessão por surpresas, confiança no merecimento. OK! Nada disso aconteceu. Tive que tomar um banho bem demorado e excluir todas as esperanças que investi nos outros e então fui dar jeito no meu domingo. Me sentei na frente da casa, acompanhada dos jornais de final de semana e de um mate bem tupetudo. Como sempre, meu mate encheu de erva tudo em volta, já que tem vento e minha forte respiração colabora... voa tudo. Foi quando eu prestei atenção que a minha cadela Luna tinha erva também. A Luna chegou aqui em casa antes de mim e foi bem difícil a nossa aproximação. Na verdade não sei quando isso aconteceu e por que. A Lu, Mana, Nenê e demais formas como é chamada, não é uma daquelas cadelinhas que facilmente latem, mas também não é daquelas que vem quando a gente chama, que buscam bolinha, que gostam de carinho ou que comem de tudo. Ela passou a conviver mais conosco quando meu padrasto me presenteou com uma doce Dog Alemã, a Dora. Mas infelizmente, depois que eu era fissurada pela Dora, a família chegou à conclusão de que ela não cabia aqui em casa... Mas não é da Dora que eu quero falar hoje. Sei que a Luna começou a ver que nunca machucamos a Dora por mais que ela roesse os móveis, comesse a parede ou nos sujasse quando chegávamos, com terra nas patas. Foi por isso, eu acho, que a Luna começou a socializar. Agora ela até pula às vezes quando chegamos, nos recebe no carro pra ver se trouxemos ossinhos do restaurante e só come pão com requeijão. Acho que por mais que a gente não admita isso, a Luna movimenta a casa, ela quem manda nela própria e isso nos faz admirá-la. O paladar requintado, a elegância em andar, em pedir comida e em pegar comida da nossa mão. A Luna nunca me sujou ao pegar um pedacinho de pão, por menos que ele fosse. Ainda a parte de não querer carinho sempre e rosnar pra isso, de brincar com os pés da gente e de mexer as orelhinhas cada vez que a gente fala. A Cadela Luna não é de muitos amigos, não é de latir pra qualquer um, não é de demonstrar todo amor que sente. Mas só ela sabe amar assim, suja de erva mate. O medo que ela sente de tudo e de todos nunca impossibilitou que eu me sentasse no chão pra ganhar um carinho dela e não levantasse satisfeita. Ela não gosta de banho, não usa laço na cabeça, não gosta de perfume... mas dá as duas patinhas e ajuda a pôr a roupinha nas noites frias de inverno, depois que a gente conversa com ela sobre o assunto. Ver a Luna suja de erva mate, sentada ao meu lado e me olhando como quem pergunta sobre as notícias do jornal me fez ver o quanto a gente se espelha nela. Por maior que seja o medo que ela sente, ela sabe ler nos nossos olhos toda a confiança e sabe estar presente, amando e respeitando sem cobrar nada por isso. Nada mais que um pão com requeijão.