quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Fui criada em um mundo paralelo, por Não-sei-quem da Silva e mais alguns conhecidos.
Fui criada achando que o amor me acharia e que eu não precisaria abrir mão de nada, ele chegaria pronto, sob medida.
Cresci achando que qualquer erro meu seria perdoado, e que jamais eu precisaria perdoar.
Cresci achando que ser especial é ter alguém dizendo mil vezes que te ama, gritando alto no meio da rua, te fazendo surpresas e declarações, enquanto chovem pétalas e o chão fica rosa-brilhoso.
Não, não nasci na Disney. 
Também nunca vivi nada parecido nem presenciei coisas desse tipo.
Devo ter sonhado alguma vez (S) e achei bonito.
É complicado demais não ser a melhor do mundo. É desanimador não ser a solução de um dia chato nem a resolução dos problemas.
É chato ser eu sem toda emoção que eu imaginava ter. 
Vai ver tenho algum que de loucura e os loucos estão fora de moda. Eu imaginava mais gente se beijando na chuva, sempre imaginei mais trilhas-sonoras. 
Não presenciei mais pedidos de namoro, nem presentes surpresas, nem beijos roubados.
e diferente do que se pode imaginar, estou tão viva quanto nos sonhos que tive.
Vai ver minha intensidade reprimida mudou de curso e aguçou meu romantismo, vai ver eu ainda acredito em contos.
Estranho eu viver lendo as coisa mais românticas escritas por um cara que está anos luz longe de se parecer com algum príncipe das lendas. As informações não batem, não podem ser reais.
Mas no mundo real meu príncipe não é louro nem moreno, não anda a cavalo e não grita ao mundo que me ama. Porém, neste mundo os abraços são reais e aquecidos, os problemas são reais, mas resolvidos, os momentos são mais doces que bombom, mais cheirosos que colonia, melhores de comida e mais prazerosos que qualquer coisa irreal.
Não que seja fácil desvincular minha metade conto da minha metade real. Basta eu ser metade, então?
Perdoem-me me os reais, mas fantasia faz os olhos brilharem, também.