Mas ela não sabia, às vezes, o quanto era linda. Por mais que recebesse apelidos no diminutivo, e de vez em quanto esquecia de se ver no espelho, de sorrir pra si própria, ela era linda mesmo.
Era uma mulher de corpo, com curvas salientes, seios em pé e incrivelmente naturais. Tinha cabelo pelo meio das costas, com um corte que chamava a atenção pra lombar e realçava seu quadril.
Era por pouco tempo que ela se esquecia da capacidade de sedução que tinha, muitos homens passavam olhando, muitos ligavam, muitos apenas olhavam no fundo dos olhos, como se estivessem olhando para a pessoa mais interessante do mundo. Ela nunca pode reclamar de falta de homem, mas nunca conseguiu escolher um e amar aquele. os escolhidos era quem mais decepcionava. O certo mesmo era quando eles mostravam pra ela, que eram a melhor opção.
Muitos amigos se apaixonaram, muitos apaixonados tiveram que se contentar com a amizade. Mas ela era diferente das outras, era de uma beleza suave, sem vulgaridade, porém com uma sensualidade natural, com um quê de fruta com chocolate, de segredo com carisma. E muitos admiravam sem nem saber o porquê, ou por ter motivos de mais pra isso.
Por muitas vezes, Carina teve medo dos seus próprios atos, algo que fosse lhe comprometer, algo que pudesse gerar desconforto para a família no futuro, algo que não viesse a orgulhar seus pais. Mas quando eles se foram nada disso mais importava. E assim era mais difícil de viver, para uma mulher que viveram sempre pensando e planejando, poder ser livre era de uma dificuldade imensa.
Com uma certa idade ela tentou se esconder, criar uma mascara para esconder seus medos, seus defeitos e ate suas vontades. Foi criando combinação de gestos que ela pensava que se defenderia, afastando a proximidade dos outros. Mas os mais chegados, que por muitas vezes corajosos, entendiam o quanto era doce e carente aquela mulher que por vezes parecia esnobe e prepotente. Era só mais alguém tentando não demonstrar fraquezas.
Foi quando conseguiu seu primeiro emprego que ela viu que sabia se virar em tudo, alias ela sabia disso, mas precisava de provas, como em qualquer outro assunto da vida.
Para escolher a profissão a ser seguida foi uma dificuldade imensa, tudo que a pedissem que fizesse ela fazia com todo zelo, com todo empenho para ver o sucesso da missão. Mas ela nunca soube mesmo o que a faria plena, de repente se o dia tivesse mais algumas horas, ela poderia ter mais de uma profissão e ainda ser mãe e esposa, e então estaria completa. Ela achava que tinha muito espaço pra brilhar na vida, para se prender apenas em um foco de luz.
Não importa se seria matemática, química ou biologia. O importante era que ela se destacasse e ajudasse aos outros que chegassem ao seu nível, ela sempre achou que ser especial sozinha não teria sentido, com quem ela competiria no futuro? E do que valeria levar todo conhecimento consigo sem proveito?
Egoísta ela nunca foi. A não ser quando decidia esconder o sorriso que aconchegava ate os inimigos. Ela tinha uma luz e uma calma, mesmo quando nervosa, que deixava um rastro de coisas boas, como se fosse um caminho com cheiro de jasmim e alecrim, com sensação de abraço.