sábado, 2 de julho de 2011

Quem ama Cresce 1

Era inverno, fazia frio intenso. O dia foi fácil, monótono. Esperar dos outros realmente não era mais a melhor solução, esperar que o amor voltasse ao seu lugar era só mais um sonho.
Era um daqueles momentos em que ela ficava esperando que a vida lhe surpreendesse. Carina tinha 50 anos, estava na universidade e não tinha muita razão no que sentia, sua emoção sempre esteve em primeiro lugar.
Ela era como uma boneca disfarçada, era forte como uma deusa, era frágil como uma pétala.
Há tempos Carina tinha um monte de boas intenções, e um monte de más respostas.
Ela pensava em amor, em sexo, em carreira. Queria se casar, ter filhos, uma casa linda. Trabalhar meio turno, fazer academia, levar os filhos na escola. Queria passar por momentos tristes, pra que se fortalecesse e queria ver os outros, às vezes, em momentos difíceis, para poder ser prestativa e usar toda sua experiência de vida.
Carina perdeu seus pais em um dia chuvoso, e viu o resto da sua vida menos colorido. Ela tinha um apego imenso à família só ainda não sabia se com a palavra família, ou com o seu significado.
Ninguém era melhor que ela na arte de entender as pessoas, de perdoar as pessoas, mas não sabiam que sua memória nunca foi perfeita. Ela tinha um sentimento novo por dia, viveu cada manha como uma vida nova, e isso nunca lhe permitiu lembrar do mês anterior, do sentimento anterior.
Ela amava, mas as vezes era costume. Ela nunca amou pouco, nunca controlou seu apego e não sabia como esquecer um amor da mesma maneira e agilidade com que esquecia o erro dele.
Neste dia Carina decidiu que não podia mais viver aquele amor, depois de dois dias tentando demonstrar que estava disposta a conversar, a ficar perto, ela entendeu que o amor não necessitaria da abertura dela para ser provado e nem assim ele se provava.
Era uma época de muitos testes e ela se via cada dia mais independente, mas não era isso que ela gostava.
Carina queria ter nascido em outra época, em uma época que fosse perto das novelas, que tivesse final feliz, que tivesse um amor forte, inesperado, eterno.
Não era medo, coragem nunca fez falta. Era apenas a certeza de que não poderia ser o q foi de novo, de que nada faria o tempo e a felicidade daquele ano e pouco q passou, voltar.
Mas era tanta coisa pra esquecer. Não só o que se viveu, não só as noites e dias de amor, não só a parceria que se tinha, era ainda um monte de sonhos. Desde a imagem de um casamento, dos filhos e de uma vida feliz, até a idéia de uma velhice alegre perto daquele homem.
Ela transformou ele em alguém tão mais especial, e isso virou-se contra ela. Ela fez dele um homem tão forte, tão confiante que não era mais preciso a presença dela.
Relembrar tudo q se passou era dão doloroso, e ela sentia raiva por não ter mais o q lhe fazia feliz.
Carina sempre se amou muito, sempre soube o quanto era merecedora de coisas boas. E não via melhores coisas que as que tinha. Vai ver ela tinha se esquecido de ver o mundo lá fora.
Naquele dia monótono, aquela mulher pedia colo, pois era hora de ter a mesma força e coragem que teve no inicio do relacionamento, para que enxergasse novas possibilidades.
Outros dias surgiriam e a cada nova manha seria um novo sentimento, e a cada dia o sentimento seria menos direcionado ao seu amor.
Ela cozinhava bem, dirigia bem, era inteligente e não procurava pensar em todas as possibilidades antes de agir. Em partes esse era um erro dela.
Como qualquer um, ela errava muito. Por mais que ele a chamasse de perfeita, ainda. Carina cresceu buscando coragem pra não depender dos outros, ela morria de medo de não saber o que fazer quando seus pais a deixassem. Mas começou cedo a querer ter o controle de tudo, e por mais que parecesse rude ao expressar a sua opinião com tanta força, ela só queria poder ter culpa se algo desse errado. Inconscientemente ela sabia que poderia mudar seus atos, seu jeito, mas que mudar alguém era coisa quase impossível.
Há pouco ela aprendeu que as pessoas escolhem outras para se espelharem e seguir exemplo, mas cada um escolhe alguém.Carina viu que nada do que falasse como critica construtiva iria mudar alguém que não estivesse pronto pra mudar, mas seus atos poderiam falar muito mais que isso.